Quando comecei a rabiscar os
tópicos que eu gostaria de abordar nesse texto, de cara passei a tesoura no ego
para não correr o risco de tentar escrever um tratado de economia e nem
exercitar a futurologia que, ao final das contas, não têm utilidade preditiva
nenhuma para estabelecer qual é o melhor investimento ou a maior furada
financeira nesse momento no Brasil.
Afinal, somos um País de técnicos
de futebol e, claro, todos nós arriscamos um conselho para um amigo ou um
parente, utilizando nossos “fartos” conhecimentos de economia. Mas vamos ao que
interessa para analisar apenas a constatação dos fatos e dados disponíveis na
imprensa, web e alguns estudos de especialistas.
Depois de quase meio século,
alguém teve peito para mexer numa “instituição” brasileira: a poupança.
Parabéns à Presidenta Dilma
Rousself, não pela lógica econômica do ato (manutenção da atratividade dos
títulos da dívida pública), mas pela disposição política de alterar um traço
cultural do País.
Desde 1861, quando foi instituída
pelo Decreto nº 2.723, a poupança teve fixada sua remuneração em 6% ao ano.
Alterada em 1964, ganhou uma parceira de remuneração – a correção monetária –
até ter a versão final em 1991, que soma os juros fixos de 0,5% ao mês com a TR
(Taxa Referencial).
As novas regras da poupança,
anunciadas pelo Governo no início de Maio, determinam que sempre que a Selic
ficar em 8,5% anuais ou menos, o rendimento da “nova” poupança vai render 70%
da Selic, mais a TR.
Dia 30 de Maio, a casa caiu. O
Banco Central cortou a taxa básica de juros (a Selic) em 0,5 ponto percentual,
indo de 9% para 8,5% ao ano.
Na teoria, a cruzada contra “a
lógica perversa” do setor financeiro deflagrada pela Presidenta Dilma, é
correta na medida em que os juros altos dificultam o crescimento da economia.
Na prática, há pouco impacto na
vida do cidadão comum e de quem precisa usar o cheque especial ou cartão de
crédito. Só um baita embaraço para explicar que ainda vale a pena abastecer o
porquinho. Porque é justamente o cidadão comum, basicamente os de menor renda,
que formava o público fiel da “caderneta de poupança”.
Por outro lado, os gurus de
plantão enumeram uma penca de razões para apostar as fichas no mercado de ações
– o custo de oportunidade de investir em ações diminui, proporcionando um
impulso para esse mercado – e no mercado imobiliário.
Quanto às ações não vou me
arriscar: não tenho dados nem expertise para isso. Já o mercado imobiliário, dá
para fazer uma fezinha.
Nas grandes cidades os preços só
fazem subir e as construtoras experimentam um momento único de euforia. Das
metrópoles ao interior, canteiros de obras pontilham o tecido urbano numa
oferta que, como os preços mostram, não dá conta da demanda.
Antes mesmo da série histórica de
reduções dos juros, o mercado já demonstrava esse vigor. Com a queda dos juros
imobiliários então, associadas a um ambiente macroeconômico favorável ao
crescimento da renda, a expectativa é de expansão da oferta de crédito e de
grandes oportunidades em real estate.
O índice FipeZap que mede a
valorização mensal do mercado imobiliário em algumas das grandes cidades
brasileiras, aponta uma desaceleração nos preços. O composto nacional valorizou
apenas 0,9% no mês de Maio/2012.
Contudo, entre Janeiro de 2008
até Maio deste ano, os imóveis na capital paulista sofreram valorização de
138%. No Rio de Janeiro, o mesmo período registrou um aumento de 172%.
Desaceleração ainda é crescimento.
Transporte esse quadro para o
Espírito Santo... para a Região Metropolitana da Grande Vitória... mais
precisamente, para Vila Velha.
Itapoã e Praia da Costa sofreram
valorização de 11,3% nos últimos 6 meses. Itaparica, 9,8%.... NOS ÚLTIMOS SEIS
MESES.
Até 2017, só nesses bairros,
serão mais 36 mil pessoas. 74% dos imóveis em construção naquela área já estão
vendidos.
Isso é prova de que os
investidores dos 2 grandes shoppings que estão sendo construídos na região não
estão doidos. Eles estão baseados em premissas demográficas e socioeconômicas
que demonstram as transformações pelas quais passará a demanda habitacional em
Vila Velha. E aí? Esse monte de número não é convincente? Tem mais então!
Tá rodando nas redes sociais um
comparativo bastante ilustrativo.
Quem comprou um carrão em 2007
por R$130 mil, não consegue vendê-lo agora por R$70 mil e ainda pagou R$18 mil
de IPVA.
No mesmo ano, quem comprou um
apto de R$70 mil, hoje tem um patrimônio no valor de R$130 mil e ainda faturou
R$72 mil de aluguel.
Tá na dúvida ainda? Ahhh... tem o
caso da Encol! Em 1999, né?
Amigo! O risco desse pesadelo é o
mesmo do seu banco quebrar. É a mesma coisa que pensar que o Governo não vai
honrar o pagamento da dívida pública. Ou seja, o risco é baixíssimo.
A saúde das construtoras, que
movimenta em sua cadeia produtiva R$215 Bilhões e representa 6% do PIB, diz
muito sobre o estado da economia. A construção civil emprega 10% da população
economicamente ativa. Os investidores estrangeiros estão enlouquecidos pelos
papéis das empresas do segmento que têm capital aberto. Não é um setor
perfeito, mas nenhum outro é. Tem problemas a serem resolvidos e os novos
modelos de gestão e governança estão sendo cada vez mais difundidos.
Como eu disse: fatos, dados e
constatação. Além do mais, o pai do meu pai, e o meu pai me diziam que comprar
imóvel era a melhor coisa. Acredito
neles. Que visão!
Eu
quebrei meu porquinho.
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