quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O NOJENTINHO ARROGANTE

Foi divulgado o resultado da pesquisa MELHORES EMPRESAS PARA TRABALHAR que é a maior pesquisa de clima organizacional do País.

Momento de reflexão! Como será que essas empresas contratam seus “colaboradores”?

Percorra agora qualquer site que ofereça vagas de emprego e dê uma olhada no texto onde, além da oferta daqueles benefícios tipo, “vale-pastel” e “assistência-médica meio-a-meio”, tem aquele blablablá básico de exigências do perfil do candidato. Diz mais ou menos assim:

Buscamos profissional com alta capacidade de organização, planejamento e iniciativa, além de excelente relacionamento interpessoal em todos os níveis e ótima comunicação escrita e verbal.”
 
“Buscamos profissionais com graduação completa. Pacote office avançado. Inglês fluente é fundamental e será testado. Energia, perfil hands on, organização e flexibilidade complementam o perfil.

“Foco na tarefa; Organização; Iniciativa; Busca de Crescimento Profissional; Habilidade para trabalhar em equipe...”

Pois bem. Acho que vou discordar um pouco sobre esse perfil desejado. Vou precisar de gente para encarar a SNDI Consultoria, com as seguintes características:

“Procuro o cara que tenha certeza que é o melhor, que queira melhorar o mundo, que pense em soluções alternativas, tenha tolerância a situações de ambigüidade e desordem, seja curioso e tenha independência em suas atitudes, assuma responsabilidade pelo que fizer, que seja dramaticamente criativo, talentoso, não importando que seja um nojentinho com jeito arrogante.”

Qual a diferença entre as duas chamadas?

O primeiro lote de anúncios trata daqueles que tem medo de ser felizes. Vão se adaptar ao sistema e colaborar para o tal clima organizacional que pode valer algumas matérias na mídia e trazer prêmios para a empresa.

Viva!!!! Nossa empresa é a melhor para trabalhar.

São pessoas que podem ser inteligentes, serão empregadas em uma grande empresa e desempenhar de modo exemplar suas funções; seguem regras, “batem” o ponto no estilo britânico, entretanto são seres reativos, vêem problemas e dificuldades, reclamam e repassam responsabilidades, pensam no final do mês a partir do momento que recebem seu salário e participam das discussões apenas para endossar a palavra do chefe. 

Poderão até serem pessoas qualificadas a solucionar problemas e vão desempenhar seu job description com perfeito padrão de qualidade seguindo-o tim-tim por tim-tim, enquanto o mundo corporativo muda radicalmente a cada dia, aumentando a distância entre aquilo que sua empresa demanda a você que seja feito e aquilo que a realidade do dia-a-dia impõe. Preocupam-se excessivamente com a rotina do Manual de Atividades para não errar, criando sem perceber o tédio e o vazio em torno de suas funções. 

Conheci recentemente uma funcionária padrão. Irritante é a palavra mais adequada para descrevê-la. Nada, mas absolutamente nada podia estar fora da regra apresentada pela empresa, mesmo que atendesse a todas as exigências legais. Ela está convencida, até hoje, que trabalha na melhor empresa e que cumpre suas tarefas dentro das regras exigidas. No entanto, era só mudar a cor de uma planilha ou apresentar um documento fora da ordem proposta para a menina se perder. Simplesmente porque a coitada acredita estar fazendo o certo. Foi adestrada para esse fim. Foi alienada em palestras internas para responder o tal questionário do Guia da revista.

Viva!!!! Nossa empresa é a melhor para trabalhar.

Esse seria o grupo então das pessoas inteligentes, não necessariamente competentes, que fazem a brincadeira do “Siga o chefe” com desenvoltura exemplar. Fazem a linha da racionalidade e da lógica.

O segundo grupo (que eu desejo) seria aquele abominado pelo Departamento de Pessoal (pseudo-RH) da maioria das organizações e certamente de algumas que fazem parte desse seleto grupo das 150 Melhores Empresas....

São aqueles que não se preocupam em ser simplesmente felizes, questionam o sistema e a autoridade, quebram regras, alteram o job description incluindo novas atividades necessárias ao seu dia-a-dia, não estão nem aí para o erro ou se vão levar a culpa por alguma coisa, não perdem tempo reclamando. 

Eles tomam decisões e assumem as decisões, consertam os erros, formulam os problemas e até mesmo a possível solução, enxergam novas combinações enquanto os “certinhos” observam as dificuldades. O tal relacionamento interpessoal não é regra para essas pessoas, porque a mediocridade dos funcionários padrão interrompe qualquer sinal de boa vontade e aí são taxados de “arrogantes”. Falta argumento aos ajustados ao sistema, para discutir algo acima do Manual de Atividades e aí os nojentinhos se cansam de falar para o vazio. É melhor então, criar e fazer fazer. 

Sonham e sonham alto, porque acreditam que tudo que fica pronto na vida, foi antes construído na alma. Caminham sempre com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra. Preferem o erro à omissão; o fracasso, ao tédio; o escândalo, ao vazio. Eles sabem que os grandes livros e filmes falam sobre paixões, tristeza, tragédias, o sucesso ou o fracasso. Ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Assim diz Nizan Guanaes.

Enquanto o colega do primeiro lote cumpre o horário integralmente muitas vezes apenas para ser analista da vida alheia, espectador do mundo e comentarista do cotidiano, os “malucos” saem no meio do expediente e observam crianças nos parques, o comportamento dos adolescentes que andam no shopping, os hábitos dos seres humanos que vivem ao seu redor, como bem lembra Ricardo Jordão Magalhães. Cada pequeno detalhe da vida pode gerar novos negócios, novas idéias, novos produtos e novos serviços. Novas maneiras de melhorar o mundo.

Trabalhei com uma equipe que ao menor sinal do estresse no trabalho, descia para a Praça da Sé, caminhava pela XV de Novembro e pela Rua Direita e quando voltava, estava cheia de gás, com a mente cheia de conceitos absorvidos da simplicidade do andar.

Esse é o grupo dos criativos, dos visionários; figuras com sensibilidade a flor da pele que produzem em 8 horas de trabalho (necessariamente não no mesmo dia) o que o primeiro lote não faria em um mês inteiro de jornada. Não seguem ninguém, pois são seguidos. Não precisam de incentivos para se motivar, porque já são automotivados. São inteligentes, mas são emocionalmente inteligentes.

Mark Zuckerbeg, Sergey Brin, Larry Page, Steve Jobs, Ricardo Semler, são nomes gravados na história não pela inteligência, mas por serem dramaticamente criativos, apesar de serem intragáveis no trato com pessoas.

Dane-se o prêmio e a badalação midiática pelo exemplo de clima organizacional na minha empresa.

Eu quero os intragáveis. Eu preciso de um desses nojentinhos arrogantes trabalhando comigo!

FAZENDO A DIFERENÇA

Sem querer ser um revolucionário, apesar de correr na veia esse ingrediente, vou começar a despejar informações através deste espaço que interliga o site www.sndiconsultoria.com e as redes sociais, usando uma linguagem que faça o pequeno e médio empreendedor sair da rotina diária de bombeiro e se vestir de arquiteto do futuro. Do seu futuro.

A idéia é bagunçar estruturas ultrapassadas e fazer com que sejam arquivados projetos que nunca darão em nada, pelo simples fato que faltam ingredientes básicos na receita que cada empreendedor traz consigo a partir do sonho de ser seu próprio patrão. Acredite: cada um tem uma receita diferente de como alcançar o sucesso e aí começa o problema. Sobra entusiasmo e empirismo; falta planejamento e estratégia.

Tive um encontro recente com a área de saúde e, lógico, estarei citando algumas passagens nesse segmento (talvez incomodando alguns que fazem parte desse jogo onde quando dá empate tá de bom tamanho), mas o objetivo aqui é trazer o tema da “estratégia de marketing” de forma mais abrangente, para quem quiser e achar que cabe em seu negócio.

Como sou fã da BizRevolution, vou plagiar um pouquinho:
- “galera, acoooordaaaa! Quebra tudoooo! Hoje! Agora!”

Isso vale pro empreendedor, para o executivo, o assistente e o auxiliar.... Na grande tarefa de alavancar e/ou manter uma empresa em evidência, TODOS tem que contribuir e compartilhar da mesma visão, do mesmo objetivo e busca das mesmas metas. Na maioria das vezes, para conseguir esse feito, será necessário quebrar regras, virar a mesa, assumir posturas e atitudes que talvez você não esteja acostumado, saindo da mesmice do seu dia-a-dia e incorporando um ser iluminado que ao final da sessão deixe o seguinte recado: estude, questione, busque e distribua o conhecimento. Isso vale para sua vida pessoal também.

Reúna sua equipe, coloque a idéia na mesa, discuta, use técnicas tipo brainstorming, Mapa Mental, SCAMPER, TRIZ,          etc.. faça o que quiser, mas se você não conseguir VENDER a visão que teve internamente, como vai ser lá fora? Apare as arestas dentro da sua empresa, organize seu pessoal usando aquilo que cada um tem de melhor emocionalmente, una o diretor com o pensamento do funcionário mais simples, mas VENDA para todos e utilize todos na construção do esqueleto de seu novo produto ou serviço que provavelmente terá na simplicidade o grande poder da inovação. Esquisito isso? Pergunte pro Steve Jobs

O certo é que você precisa provocar seu pessoal. Provocar um desejo de ser melhores do que são.

Dissemine a idéia de que é melhor trabalhar com um nojentinho talentoso do que com um certinho incompetente. Livre-se dos incompetentes. É apenas custo, e alto.
Incentive a discussão de que é preciso desafiar o processo e não se conformar com uma única forma de ver as coisas: sempre existe uma 2ª opção.

Inspire uma visão compartilhada, porque sozinho será apenas um sonho... talvez um pesadelo a te atormentar no resto dos seus dias com a pergunta: será que daria certo?

Capacite outras pessoas a agirem, distribuindo o seu conhecimento. Conhecimento guardado é apenas informação.

Forje caminhos, inspirando pessoas a participarem do verdadeiro big brother da vida e descobrirem que existem atalhos chamados autodesenvolvimento e automotivação.

Encoraje emoções, porque a racionalidade ficou no passado. Q.E. hoje é mais importante do que Q.I.

E por fim. Faça as pessoas entenderem que a única maneira de fazer a diferença é fazendo a diferença.